domingo, 9 de novembro de 2014

IBGE explica mal-estar de Sul e Sudeste contra o Nordest

Se dependesse das regiões Sul e Sudeste do país, o presidente da República para o quadriênio 2015 – 2018 seria Aécio Neves. O Brasil estaria se preparando para inaugurar mais uma República banqueira como tantas outras que o fizeram chegar ao limiar do século XXI como o quarto país mais desigual do mundo, perdendo só para países africanos miseráveis.
O que livrou os brasileiros – inclusive do Sul e do Sudeste – da escuridão política foi o povo nordestino. O Nordeste, por ser a segunda região mais populosa do país depois do Sudeste e por ter dado a Dilma Rousseff apoio ainda mais intenso do que o que o senador tucano teve no Sudeste, reelegeu a presidente.
O mais interessante nesse processo é que a região dos coronéis de outrora, que sustentou a ditadura militar nos seus estertores – quando o resto do país já exigia redemocratização – e que votava nos conservadores apesar de a vida de seu povo, com a direita no poder, piorar a cada ano, aprendeu a votar em causa própria.
A eterna prepotência das regiões do resto país que se desenvolveram mais devido à política e não a méritos próprios, vem gerando surtos de preconceito contra o Nordeste nas últimas eleições presidenciais, com destaque para as de 2010 e 2014, quando o Ministério Público teve que entrar em campo para punir surtos racistas e xenofóbicos.
O caso de São Paulo é pior, em termos de ignorância, preconceito e xenofobia. O povo paulista, hoje, emula o povo nordestino, que elegia, reelegia e elegia de novo seus algozes enquanto sua vida piorava. Os paulistas acabam de conceder o SEXTO mandato de governador ao PSDB apesar da piora galopante das próprias vidas.
A hegemonia tucana fez com que, de 2001 a 2011, São Paulo se tornasse o Estado que mais perdeu participação no PIB da indústria brasileira. Apesar de ainda responder pela maior parte da produção industrial (33,3%), SP teve recuo de 7,7 pontos percentuais em sua participação no PIB industrial, onde há os melhores empregos.
Ironicamente, enquanto a falta de água caminha para se tornar história no Nordeste, sobretudo devido à incrível obra de Transposição do Rio São Francisco, que, apesar das sabotagens, em breve estará concluída, no Sudeste, sobretudo em Minas Gerais e SP, a população paga pela incúria dos governos conservadores dos últimos 12 anos.
A inversão do desenvolvimento no país se torna gritante na comparação entre o PIB industrial do Norte e do Sul do país. Enquanto o primeiro cresceu 1,9 ponto percentual no período de 2001 a 2011, o Sul perdeu 2,1 pontos.
Tudo isso vem acontecendo porque, após a chegada do PT ao poder, em 2003, o Brasil tratou de reparar uma chaga histórica. Qual seja, o processo deliberado de incremento econômico do Sul e do Sudeste em detrimento do Norte e do Nordeste, que foi política de Estado ao longo de nossa história, desde o descobrimento.
O que puxava os índices de desenvolvimento do Brasil para baixo sempre foi o Nordeste, mas só até que Lula chegasse ao poder. Dali em diante, essa equação começou a se inverter.
Quando os paulistas acusam os nordestinos de terem sido responsáveis pela reeleição de Dilma por não saberem votar, mostram quanto não sabem nada sobre o próprio país. Os nordestinos sabem muito bem por que votam no PT, como mostra a mais nova edição da PNAD contínua, do IBGE.
A nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) produz informações contínuas sobre a inserção da população no mercado de trabalho e suas características, tais como idade, sexo e nível de instrução, permitindo, ainda, o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País através da produção de dados anuais sobre trabalho infantil, outras formas de trabalho e outros temas permanentes da pesquisa, como migração, fecundidade etc.
Pois bem: segundo a nova PNAD contínua, divulgada na última quinta-feira, no período de 12 meses (fechado em junho) o Nordeste liderou a criação de postos de trabalho no país. De 1,5 milhão de empregos criados nesse período, 1 milhão foi criado no Nordeste e o resto pelas demais regiões.
Vejamos, então, quem é que não sabe votar: o povo de São Paulo, que vota há vinte anos em um governo que liderou a redução da presença de seu Estado no PIB, que materializa uma inédita escassez de água e que vê seus problemas sociais se agravarem, ou o povo do Nordeste, que votou maciçamente em um governo que vem fazendo a vida melhorar tanto na região?
O PIB nordestino cresce a uma taxa quatro vezes maior que a do resto do Brasil. Isso ocorre porque, após a chegada de Lula ao poder, o governo federal vem fazendo o que tem que ser feito no país para acabar com um nível de desigualdade que mantém os brasileiros no atraso.
Como é que se distribui renda? Antes de distribuir por idade, sexo etc., a renda começa a ser distribuída geograficamente e, passo a passo, a atuação governamental vai se sofisticando por idade, gênero etc.
Ou seja: para distribuir renda no Brasil, há que fazer, primeiro, as regiões mais pobres crescerem mais do que as regiões mais ricas.
Com efeito, se o Norte e o Nordeste fossem um país – como, inclusive, quer parte do Sul e do Sudeste –, seriam um dos países que mais crescem no mundo, com o PIB do último ano crescendo mais de 4%.
Infelizmente, só há uma forma de distribuir renda: para alguém ganhar, alguém tem que perder. Não dá para todos ganharem da mesma forma se um tem mais e outro tem menos, e o que se quer é justamente maior igualdade. Assim, o Norte e o Nordeste precisam crescer mais do que o Sul e o Sudeste mesmo.
Se aqui, no “Sul Maravilha”, não fôssemos tão egoístas e alheios à realidade, entenderíamos que não adianta querermos o desenvolvimento só para nós – ou mais para nós – porque o povo das regiões empobrecidas migra para cá, aumenta a demanda por serviços públicos e, mergulhado na pobreza e no abandono, vê seus filhos caírem na criminalidade.
Com o maior crescimento do Norte e do Nordeste, a migração cai ou muda de rumo, como tem acontecido – hoje, há cada vez mais nordestinos voltando à região de origem. Além disso, o Sul e o Sudeste poderão parar de enviar recursos, via impostos, para combater a miséria extrema nas regiões mais pobres.
De certa forma, o povo do Sul-Sudeste tem um “motivo” para não gostar dos quatro governos do PT a partir de 2003. A percepção de que o desenvolvimento dessas regiões não tem sido grande coisa, não chega a ser cem por cento errada. Porém, isso ocorre porque está havendo redistribuição de renda entre regiões, no Brasil.
No atual ritmo de crescimento do Norte e do Nordeste, em mais um mandato do PT o Brasil terá outra face – mais justa, mais coerente com um país que não pode ser rico em uma ponta e miserável na outra. E, ainda que grande parte do povo das regiões preteridas não entenda, ao fim todos sairemos ganhando com isso.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Um golpe contra o Brasil

Engana-se quem acha que a ditadura foi implantada , em abril de 1964, com uma quartelada ou alguma ação improvisada de militares furiosos. Foi um golpe de Estado anticomunista, antioperário e antinacional, dentro da histeria da Guerra Fria, em uma agressão escancarada para impor um minucioso projeto econômico e social desenvolvido segundo os interesses do capitalismo estrangeiro e seus aliados nacionais.
Para impor esse projeto econômico e social era necessário impor o arrocho salarial e medidas impopulares sem precedentes. E para que isso se efetivasse era necessário o terrorismo de Estado e a cumplicidade e cooperação do empresariado nacional. A grande maioria dos sindicatos de trabalhadores sofreu intervenção, que passaram a ser dirigidos por gente de confiança da ditadura e dos patrões. Para garantir a repressão, uma extensa rede de repressão se instala desde os primeiros momentos da ditadura sob o comando do temido SNI - Serviço Nacional de Informações, complementada por agentes de repressão particular dentro das fábricas, contratados pelos empresários. Essa cooperação é prevista no organograma do SISNI – Sistema Nacional de Informações, que destaca as “Comunidades Complementares” com os convênios com “Entidades privadas conveniadas”.
Toda essa rede de arapongas a serviço do empresariado foi detectada pela Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, de São Paulo, com base em documentos oficiais do SNI, guardados no Arquivo Nacional. Do mesmo modo, o Arquivo do Estado de São Paulo guarda documentos que mostram que as empresas entregavam as fichas funcionais de seus empregados ao DOPS – Departamento de Ordem Política e Social para que fossem perseguidos pela temida repressão política e essa perseguição servir de desculpas para demitir e colocar o nome do perseguido nas “listas negras” daqueles que não poderiam conseguir emprego mais. Suas famílias passavam fome e os empresários impunham assim o medo da demissão e a submissão dos trabalhadores dentro do projeto implantado em abril de 1964.
A Comissão Estadual descobriu também os livros de entrada e saída no DOPS. Não o livro de entrada de presos, mas o de visitantes do departamento. Sem nenhuma dúvida, o visitante mais constante era um funcionário da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Geraldo Resende de Mattos, homem de confiança do chefe da entidade patronal. Suas visitas nem sempre têm registrado o horário de saída. Numa dessas vezes, a entrada foi pouco antes das seis da tarde e sua saída se dá no dia seguinte quase sete horas da manhã. Óbvio que o funcionário da FIESP ia lá organizar a repressão ao movimento sindical já amordaçado, reprimido e duramente perseguido. Mais uma vez o projeto econômico e social implantado em 1964 era garantido pela repressão política da ditadura sem nenhum disfarce, bem longe da civilidade ou legalidade.
Outro que visitava muito aquele órgão de repressão, tortura e extermínio e opositores à ditadura militar era Claris Halliwell, graduado membro do consulado geral dos EUA, que entrava e saía com muita frequência e também não tinha horário de saída registrado ou só saía no dia seguinte. Em geral, sua presença lá coincidia com os dias em que aconteciam terríveis sessões de tortura a membros da resistência ao estado de terror imperante. Sua entrada acontecia junto com conhecidos torturadores do DOI-CODI de São Paulo como o tenebroso Capitão Ênio Pimentel Silveira, notório torturador e assassino de presos políticos. A entrada dos dois indica que participavam das sessões de torturas, como é o caso do dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), Devanir José de Carvalho, Comandante Henrique, barbarizado por quase três dias seguidos e assassinado ao fim dessa jornada.
Torturas, assassinatos e desaparecimentos de opositores militantes de organizações revolucionárias de luta armada aconteciam no mesmo lugar e com a mesma atenção que a repressão ao movimento sindical e de trabalhadores em geral. A ligação que há entre Mister Halliwell e Geraldo Resende de Mattos é o projeto econômico e social implantado em 1964, com orientação, apoio e acompanhamento do governo americano ao Estado usurpado pelos golpistas civis e militares, que se perpetuaram por longos 21 anos seguidos no poder. Causaram danos em, pelo menos, três gerações de brasileiros e estão impunes até hoje.
Nesse momento em que se marcam os cinquenta anos do assalto ao poder por gente que não tinha compromisso com a democracia e menos ainda com o País, devemos refletir o que se pode fazer para o Brasil continuar e aperfeiçoar suas instituições. Cometeram crimes de lesa-humanidade e também crimes de lesa-pátria, pois causaram danos ao povo trabalhador, aos jovens, à cultura nacional, à economia nacional e às instituições nacionais. E continuam impunes. As mortes são imperdoáveis, mas o que se pode dizer da fome causada aos trabalhadores colocados nas chamadas “listas negras”? Não eram “apenas” os trabalhadores, mas todos os componentes de suas famílias. Danos morais, políticos e econômicos em mulheres, crianças e idosos. Não há como perdoar. Tudo cometido em nome de um maldito projeto econômico e social de uma potência estrangeira.
*Ivan Seixas, ex-militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), foi torturado ao lado do pai, assassinado pelo regime. Hoje Seixas preside o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Seu relato faz parte da série de 50 depoimentos coletados para o especial Ecos da Ditadura, sobre os 50 anos do golpe civil-militar de 1964

sábado, 1 de novembro de 2014

Depois da eleição, segue a pressão conservadora

A reeleição da presidenta Dilma Rousseff foi uma vitória numericamente apertada, mas politicamente incontestável e plena de significados. Foi a vitória das forças democráticas e populares sobre a direita neoliberal e conservadora. Os derrotados passaram a semana movimentando-se para criar um clima de “terceiro turno”, com ações que variaram do desrespeito à vontade democrática do povo, no velho golpismo de sempre, ao patético.


Seus líderes mais credenciados, a partir dos candidatos derrotados a presidente e vice, de mãos dadas com penas e vozes alugadas na mídia, tentaram desqualificar a vitória de Dilma, lançaram diatribes, destilaram ódio, fomentaram a tese do “Brasil dividido” e chegaram ao despautério de questionar o resultado das urnas, pedindo uma “auditoria da apuração dos votos”. 

Desde a proclamação dos resultados, iniciaram um jogo de pressões com a finalidade de paralisar e neutralizar a presidenta reeleita, e acrescentar dificuldades ao exercício do seu segundo mandato antes mesmo que comece. 

Sua primeira decepção foi a atitude impávida da vitoriosa. Pensando grande, fez um apelo ao diálogo – não necessariamente com os partidos derrotados – mas com os segmentos da sociedade –, reafirmou a luta por mudanças e sinalizou a prioridade para a reforma política. Depois de uma série de entrevistas e reuniões com sua equipe mais próxima, foi tirar merecido descanso numa aprazível praia da Bahia, estado onde é imensa a sua popularidade e forte seu respaldo eleitoral.

A pressão mais importante sobre a presidenta reeleita concentrou-se sobre a designação do novo ministro da Fazenda e o anúncio da “nova” política macroeconômica. Na falta de outro conceito, a oposição e sua mídia, agindo como porta-vozes da oligarquia financeira, criaram o “ministro da Fazenda independente”. A tecla surrada em que batem é a nomeação de um titular para a pasta da economia com “autoridade própria” e que “seja capaz de atuar sem a interferência da presidenta”. O festival de estultices chegou ao ponto de pedirem que Dilma “deixe de ser a ministra da Fazenda”.

A pressão da oligarquia financeira e mesmo a tentativa de coação à presidenta se explica pelo posicionamento firme que Dilma adotou na campanha. Sem se descomprometer do combate à inflação e da defesa da estabilidade fiscal do país, Dilma deixou clara a sua posição de priorizar o emprego, a melhoria da renda do trabalhador e da vida das pessoas, a continuidade das políticas sociais e de uma estratégia de desenvolvimento nacional. “Não somos aqueles que só pensam nos banqueiros e nos juros. Somos aqueles que querem melhorar a vida de cada família”, ao passo que condenou as propostas de política econômica do adversário, que “planta inflação para colher juros”.

Dilma não cedeu. Disse que o ministro da Fazenda e eventuais ajustes na economia e nas finanças serão anunciados no momento certo. 

No quadro de uma aliança heterogênea, em que são ponderáveis a força e a influência de partidos e lideranças centristas exercidas em nome de interesses pessoais e grupistas, não faltaram as pressões e até chantagens oriundas de partidos e lideranças que integram a coligação liderada por Dilma. Com motivações torpes e usando métodos reprováveis, esses setores agiram para infligir à presidenta uma derrota no parlamento no primeiro dia de sessões na Câmara após as eleições. Ao forçarem o veto aos conselhos populares, na verdade golpearam a democracia e revelaram sua faceta antidemocrática e elitista. As pressões se completam com a ameaça de eleger para a presidência da Câmara um político que sistematicamente sabota as relações de aliança entre o PMDB e o PT, e de pôr em votação açodadamente, no apagar das luzes do ano legislativo, projetos prejudiciais à gestão do governo.

As movimentações da primeira semana pós-eleitoral mostram que continua forte a pressão conservadora. É tempo de luta política, em que é cada vez mais necessário ao governo vitorioso manter a clareza de rumos, unir as forças democráticas e mobilizar o povo para enfrentar os desafios e realizar as mudanças que a nação reclama.

Editorial do Portal Vermelho.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Protocolado na Câmara projeto de plebiscito sobre constituinte

Por Roldão Arruda, na Agência Estado
Foi protocolado nesta quinta-feira, 30, na Câmara, projeto de decreto legislativo para a convocação de uma assembleia constituinte exclusiva para a reforma política. Encabeçada por Luiza Erudina (PSB) e Renato Simões (PT), a lista de apoio ao projeto conta com a assinatura de 185 deputados, de vários partidos.
Se o projeto for aprovado, os eleitores brasileiros irão às urnas para dizer sim ou não à seguinte questão: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?”
É a mesma pergunta do plebiscito simbólico realizado no dia 7 de setembro em todo o País. O evento, organizado por 480 entidades, entre sindicatos, movimentos sociais, associações profissionais e organizações não governamentais, contabilizou 7,7 milhões de votos. Desse total, 7,5 milhões (97%) disseram sim à convocação da constituinte para a reforma, segundo os organizadores.
O prazo máximo para a convocação do plebiscito, de acordo com a proposta apresentada na Câmara, seria de dois anos. A assembleia teria a tarefa exclusiva de fazer a reforma. Os mandatos dos constituintes seriam extintos logo em seguida.
Segundo o deputado Renato Simões, o tema ganhou amplitude com a recente campanha eleitoral e as declarações feitas pela presidente Dilma Rousseff, comprometendo-se com a questão da reforma.
Simões também lembrou que há muito tempo tramitam no Congresso propostas de reforma que nunca foram adiante. “Está evidente a falta de ação do Congresso diante do tema”. afirmou. “Entendemos que é importante que a a população se manifeste em outro fórum, igualmente legítimo, sobre esse assunto.”
Em 1986, quando se discutiu a elaboração de uma nova constituição para o Brasil, também existiam grupos políticas que defendiam que ela deveria ocorrer numa assembleia constituinte convocada exclusivamente para isso e que seria extinta assim que concluíssem a missão. Prevaleceu, porém, a ideia de se conferir poderes constituintes aos parlamentares que já estavam no Congresso.

PSDB APELA E QUER RECONTAGEM DOS VOTOS

Dilma derrota o ódio: 2018 é logo ali!


Por Rodrigo Vianna
Para a oposição, um lembrete: 2018 é logo ali!
Para a oposição, um lembrete: 2018 é logo ali!
Existem vitórias maiúsculas pela margem obtida sobre o oponente. E existem vitórias gigantescas, obtidas por estreita margem.
A reeleição de Dilma é uma vitória do segundo tipo. Gigantesca, pela onda conservadora que a candidata teve que enfrentar.
Dilma derrotou o ódio, derrotou a maior onda conservadora no Brasil desde 1964.
Muita gente comparou essa campanha de 2014 à eleição de 1989 – que opôs Collor a Lula. Concordo, apenas em parte. O grau de tensão e terrorismo midiático foi semelhante. Mas há uma diferença importante…
Collor era um líder solitário, com apoio da Globo e um discurso messiânico. Aécio representa outra coisa: a direita orgânica, com apoio dos bancos, de toda a velha mídia, da classe média raivosa, do pensamento econômico conservador, dos pastores mais reacionários, dos pitboys de academia que querem pendurar negros nos postes, do discurso antipetista, anitinordestino.
Ganhar, contra uma onda desse quilate, significa uma vitória gigantesca – que precisa, sim, ser comemorada. Com serenidade. Mas também com alegria.
Dilma derrotou Aécio Neves, o típico garotão arrogante da elite brasileira. Derrotou o sorriso de deboche e a (falsa) superioridade que Aécio exibiu nos debates. Derrotou o discurso de ódio que ele ajudou a disseminar – dizendo que pretendia “libertar o Brasil do PT”.
O Brasil se libertou de Aécio e seus aeroportos privados, de Aécio e sua irmã das sombras, de Aécio e sua corja de apoiadores na imprensa mais porca que o Brasil já teve.
Dilma derrotou a revista da marginal e seus colunistas de longas e conhecidas carreiras. Nos momentos de euforia, esses colunistas enxergam-se gigantes. Mas são anões do jornalismo.
Dilma derrotou os blogueiros apopléticos e seus castelos de areia, derrotou os comentaristas gagos, as mirians, os mervais e outros quetais.
A vitória de Dilma é a derrota de ex-cineastas e ex-roqueiros que se afogam agora na baba elástica do ódio.
Mas Dilma também derrotou os neoliberais, os armínios e fhcs. Esses, talvez, os mais honestos adversários – posto que apresentaram seu programa e o debateram de forma aberta.
O Brasil rejeitou, pelo voto, o discurso de combate aos programas sociais, de redução do Estado: foi a quarta derrota seguida do liberalismo tucano – que quebrou o país nos anos 90.
Também derrotados foram a Globo e Ali Kamel. Quarta derrota seguida – apesar dos pequenos golpes e das edições malandras na véspera do voto. O JN perdeu peso. Kamel é o comandante de um império jornalístico em decadência.
O Brasil rejeitou Kamel e suas teses de negação do racismo. O Brasil apostou no combate à desigualdade, que deve seguir. O Brasil apostou num governo que enfrentou a maior crise da história, desde 1929, sem jogar o peso do ajuste nas costas dos trabalhadores.
O Brasil votou pelo planejamento e contra o  privatismo que entrega até água para o mercado – matando São Paulo de sede.
Foi a vitória da razão de Estado contra o fundamentalismo do Mercado.
Foi a vitória do trabalhismo contra o moralismo rastaquera.
Foi a vitória de Vargas contra Lacerda, de Brizola contra Roberto Marinho.
De quebra, Dilma enfrentou e derrotou o oportunismo marinista. A Rede – criada como aposta na “terceira via” e na “nova política – terminou a eleição abraçada ao conservadorismo tucano.
Depois de destruir dois partidos (PSB e a própria Rede), Marina destruiu a própria imagem e o patrimônio politico acumulado.
Dilma derrotou o ódio nas urnas. Agora é preciso derrotar o ódio e o golpismo midiático.
Na última semana de eleição, já estava claro que o aparato midiático conservador apostaria num terceiro turno.
O PSDB e a velha mídia partirão para o ataque agora, porque sabem que em quatro anos terão que encarar outro osso duro de roer: Lula.
O Brasil deve dizer a eles que tenham paciência. 2018 é logo ali.
Os tucanos que se recolham  às fronteiras de 1932. E façam o debate com Lula em 2018.
Dilma certamente sabe que sua vitória gigantesca só foi possível porque a campanha caminhou alguns graus à esquerda – incorporando jovens e coletivos populares que são até críticos ao governo petista, mas sabem  que significa o tucanato.
Com a onda popular no segundo turno, a presidenta deixou de ser a “gerente”, a administradora escolhida por Lula. Dilma virou a líder de um projeto que só avançará se tiver coragem para colher nas ruas o apoio que talvez lhe falte no Congresso.
Alianças ao centro serão necessárias, mas o apoio popular é que vai garantir apoio verdadeiro, se o aparato conservador partir mesmo para o terceiro turno.
O Brasil ficou mais forte. O ódio perdeu. De novo.

sábado, 9 de agosto de 2014

A exemplo da mulher de César, não basta apoiar. Tem que aparecer e mostrar que tá apoiando GladsonC para o senado

Coluna do Brana

amazonas gov
Governador, José Melo, do AM, em Cruzeiro do Sul concede entrevista no aeroporto.

Pompeia foi mulher de César, o romano.
Um dia ela deu uma festa em seu palácio onde  não podia entrar nenhum marmanjo.
Um jovem chamado Públio ousou e entrou disfarçado de mulher.
Queria pegar Pompeia.
Contrariado, César separou-se de Pompeia com a explicação:
-Minha mulher não deve estar nem sob suspeita.
Daí surgiu o provérbio:
‘À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta’
Pois, bem:
O Estado do Amazonas quer ser protagonista nas eleições do Acre.
Quer ter 04 senadores e seus empresários e políticos – as forças de direita do AM – compreendem que GladsonC pode ser muito útil a eles saindo vencedor ao senado contraPerpétua.
GladsonC seria o 4º senador do Amazonas caso eleito, no planejamento dos barões do jaraqui.
Uma afronta ao Acre.
E uma afronta à inteligência nativa.
Foi esta coluna, ontem, que escancarou essa manobra dos empresários do Amazonas para interferir nas eleições acreanas.
No mínimo o Amazonas e seus empresários – cometem crime eleitoral no Acre  quando se unem para ajudar GladsonC a massacrar sua concorrente Perpétua com o poderio econômico.
Com a máquina do dinheiro.
Pois, é:
Mas não basta só apoiar GladsonC.
Tem que mostrar força, poder.
Presença.
Lembras da mulher do César?
aviao amazonas
Avião que transportou José Melo, governador do AM, a Cruzeiro do Sul

Ontem um jatinho desceu em Cruzeiro do Sul com ninguém menos a bordo do que o governador amazonense.
Soube-se depois que José Melo não foi ao Juruá apenas comprar a deliciosa farinha de Cruzeiro para comer com Jaraqui.
Ele foi em ação política interestadual.
Claro, arrumaram um comício improvisado no município de Guajará para não ficar muito na cara que a viagem a Cruzeiro tinha outros objetivos.
Prometeram até pavimentação de ramais em Guajará.
Faltando menos de dois meses para a eleição…
O fato é que está mais do que nítida a presença do poder financeiro – grande poder financeiro do Amazonas– interessado na candidatura e vitória de GladsonC para o senado.
O Acre vai aceitar essa interferência de fora em sua eleição?
As forças políticas locais que mudaram o Acre na última década vão ficar mudas com essa situação?

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Empresários querem GladsonC como o 4º senador do Amazonas

Coluna do Brana

expoacre perpetua
Foto: JDíaz – Gladson monta um belo cavalo em cavalgada; Perpétua caminha entre o povo
Todos sabem,  inclusive até o mundo florestal –  que cada Estado tem apenas 03 senadores.
Embora o Estado do Acre não possa dizer isso de boca cheia nos tempos atuais.
No entanto, a situação pode piorar.
Os empresários do Amazonas estão unidos e querem eleger mais um senador para o seu Estado.
O 4º.
Sabe quem?
O doutor.
Isso mesmo!
GladsonC é a cereja do bolo do Amazonas e de seus barões do dinheiro.
Não porque o doutor seja um produtivo parlamentar.
Não é.
Nunca foi.
Nunca será.
É fraco e, segundo os corredores de Brasília, GladsonC faz parte do baixo clero do baixo clero na Câmara dos Deputados.
Ninguém o leva a sério no Congresso.
Nunca relatou nenhuma matéria importante numa comissão temática.
Nunca foi relator de nada.
Ou seja, sua influência é traço!
Quando fala na tribuna, não diz coisa com coisa…
[Esta semana, o senador Jorge Viana (vice-presidente do senado)  disse que tem parlamentar do Acre que diz que libera recursos de mentirinha... adivinha quem o JV estava se referindo?]
Mas um senador é um senador.
Tem status (no caso do doutor seria só status mesmo)
É um voto importante.
Para o bem e para o mal.
E os empresários do Amazonas, aqueles dos 50 milhões, precisam do 4º senador em Brasília.
E querem o 4º senador tirando um do Acre.
Deixando o nosso Estado com dois apenas.
A relação de GladsonC com o Amazonas é como unha e carne.
Queijo e goiabada.
Fla-FLU.
Todos sabem que o doutor nunca – ou muito pouco – morou no Acre. [nisso ele é igualzinho ao MBittar]
Suas coisas e seu patrimônio – família – estão no Amazonas.
Percebeu o interesse agora dos barões de Manaus em eleger GladsonC senador?
Por isso já se percebe a diferença de estrutura de campanha entre o doutor GladsonC e  Perpétua.
Um vai montado no melhor cavalo de raça.
A outra caminha com as próprias pernas.
E o povo, aos poucos, vai percebendo o perigo dessa intromissão do Amazonas nas eleições do Estado do Acre.

TRABALHADORES FECHAM COM DILMA

A reeleição da presidenta Dilma recebeu hoje, em São Paulo, o apoio das seis maiores centrais sindicais do país. O ato, realizado no ginásio do Canindé, contou com a presença de Lula e reuniu os presidentes da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB, além de uma multidão de trabalhadores.

Em seu discurso, Dilma falou sobre a política de valorização do salário mínimo e lembrou que o seu governo e o do ex-presidente Lula mostraram que é possível conciliar crescimento e distribuição de renda.

"Mais uma vez, projetos diferentes se confrontam. Eu faço parte de um projeto especial, um projeto que deu ao Brasil presente e futuro. Que provou que era possível desenvolver o país e ao mesmo tempo distribuir renda", afirmou. Lula complementou: "Enquanto teus adversários vivem prometendo construir um futuro que nem eles sabem como é, um mundo melhor que eles nem sabem qual é, eles deviam ter a humildade de dizer que o futuro desse país é a reeleição de Dilma".

No evento, os sindicatos entregaram a Dilma um documento contendo propostas como a manutenção da política de valorização do salário mínimo, já implantada pelos governos petistas. Há uma semana, Dilma recebeu o apoio da CUT, a maior central sindical do país. Na ocasião, a presidenta garantiu que seguirá apoiando a agenda de reivindicações dos trabalhadores, como vem fazendo em seu primeiro mandato.

“Eu não fui eleita e nem serei reeleita para reduzir salário de trabalhador, para tirar emprego de trabalhador nem para colocar nosso país de joelhos diante de quem quer que seja. Não sou uma pessoa pretensiosa, posso não acertar sempre, como qualquer ser humano, e posso não agradar a todos em todo o tempo. Mas vocês podem ter certeza de uma coisa: eu não traio meus princípios nem meus compromissos”.
Assista abaixo ao discurso de Dilma:
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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Empresários do Amazonas têm interesse na eleição de Gladson para o Senado (Aí tem…!)




Coluna do Brana


gladsonc
 Disso não se tem mais dúvida e o movimento de campanha (nos bastidores, especialmente) mostra.
50 milhões é o quanto estariam investindo para eleger o doutor no dia 5 de outubro.
É dinheiro que não acaba mais!
É o que todo mundo comenta nos últimos dias na política local.
Até porque, pelas contas da Oposição, a eleição de MBittar ao governo já teria ido pro beleléu.
No Acre, Perpétua e GladsonC são os principais oponentes ao senado.
Só tem uma vaga!
A diferença na estrutura de campanha é alarmante.
Enquanto GladsonC  faz campanha num supersônico, com velocidade que ultrapassa a barreira do som – Perpétua utiliza um teco-teco para levar seu nome aos eleitores.
Além  disso, as promessas do doutor são sempre inflacionadas e os partidos e candidatos que se aproximam dele querendo ‘conversar’ [conversar em campanha eleitoral significa dinheiro e quanto vai rolar] estão esfregando as mãos e esperando que a ‘conversa’ comece a render.
Parece que já está…
E por que os empresários do Amazonas estariam pondo 50 milhões na campanha de GladsonC para o senado?
Porque precisam dele lá em Brasília para seus pleitos econômicos (o povo do Acre que se ferre!)
Empresários não dão ponto sem nó quando apoiam alguém numa eleição.
É óbvio!
Ou seja, o eleitor do Acre vota num candidato do seu Estado que vai ajudar outro Estado.
É ruim, hein!
E você, eleitor do Acre, vai deixar os milhões vencerem a eleição para o senado?
Quando o dinheiro vence uma eleição os perdedores são o próprio Estado e sua população.


Perpétua é recebida por pastores da Assembleia Deus (vídeo)

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Foi em Xapuri.
Pelos menos uns 30 pastores da Assembleia Deus encontraram Perpétua para um momento de oração.
Antes, Perpétua contou aos pastores sobre sua origem, família e sua relação de apoio às igrejas no combate às drogas por meio do mandato de deputada federal.
Foi aplaudida ao final.
Assista vídeo com o pastor Davi, que estava presente em Xapuri, sua terra natal.[42 segundos]