sábado, 28 de agosto de 2010

Frente avança!

Trabalhadores e empresários elogiam competência de administradores da FPA


As bandeiras vermelhas da Frente Popular do Acre agitaram a Vila do V, em Porto Acre, na tarde da última quinta-feira. Ao lado do prefeito José Maria e de candidatos à Assembléia Legislativa e à Câmara Federal, Tião Via-na, candidato a governador, Jorge e Edvaldo Magalhães, que concorrem às duas vagas ao Senado, foram recebidos com euforia na rua principal da Vila.

O que deveria ser apenas uma caminhada, terminou com um comício improvisado por causa da quantidade de pessoas. Tião Viana assumiu o compromisso de lutar pela emancipação política e administrativa da localidade. Jorge Viana e Edvaldo Magalhães afirmaram que vão ajudar o governo a conseguir recursos para recuperação e pavimentação de ramais.


Ainda na quinta-feira, em Rio Branco, Tião, Edvaldo e Jorge participaram do lançamento da campanha de Raimundo Cardoso a deputado estadual. Depois, no Calafate, reuniram lideranças comunitárias de bairros próximos, como Laélia Alcântara, Wilson Ribeiro e Vila Betel. O vereador Raimundo Vaz e o ex-vereador Cosmo Moraes também participaram.


Ontem, os candidatos da Frente começaram o dia no Supermercado Gonçalves, falando para 50 funcionários. Depois, seguiram a jornada de conversas com funcionários e empresários da construção civil, falando para quase 400 pessoas em duas grandes reuniões ao longo do dia. (Assessoria)


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E agora Zé?

Música do dia

Oliver Stone: A América Latina quer falar a uma só voz

O novo documentário de Oliver Stone, “A sul da fronteira”, narra o aparecimento de uma série de governos progressistas na América Latina, a sua busca de transformação social e política no continente e a crescente independência de Washington.


Embora não se possa meter tudo no mesmo saco, como Oliver Stone faz com a promoção dos governos Kirchner a progressistas, quer o filme “A Sul da Fronteira” quer esta entrevista são contributos para romper o cerco da central de desinformação comandada por Washington. Além de Stone, Tariq Ali, co-roteirista do documentário, também é ouvido na entrevista. Confira.

Roberto Navarrete: Você fez três filmes sobre a América Latina, dois deles sobre Fidel. O que o levou a fazer este novo documentário sobre a América Latina?
Oliver Stone: Não te esqueças, além disso, de “Salvador” em 1986. Foi sobre El Salvador, na América Central, uma tragédia. De forma que voltei. Gosto da América Latina, vejo a América do Sul como o setor socialmente mais débil nesta situação.

Como cineasta, tendo a fazer filmes sobre as pessoas que não recebem tratamento justo. Creio que o que se está a passar está mal. Conheci Chávez em 2007, depois voltei em 2008 e ele disse-me: “não fique só com a minha versão, vá falar com os meus vizinhos”. Fiz isso com uma pequena equipe, e estivemos com sete presidentes em seis países.

Perguntava-me: porquê tanta confusão? Porque fazemos tanto barulho com o Chávez? Algo cheira mal em tudo isto. Quando os Estados Unidos mostram tanto zelo por destruir alguém, como já sucedeu várias vezes na América do Sul e na América Central, é evidente que há uma motivação. Estamos à procura dessa motivação.

Roberto Navarrete: Os principais meios de comunicação dos EUA foram bastante críticos com o seu filme. Isso o surpreendeu?
Oliver Stone: Não, estou surpreendido por termos sido capazes de chegar onde chegamos. Conseguimos a distribuição em salas de cinema e depois se verá se na televisão. As pessoas vão ver o filme. Haverá sarilho em perspectiva, porque quando o New York Times diz “não vejam este filme” está fazendo lobby contra ele.

Tariq Ali: Isso pode ter também um efeito contrário. Muita gente vai dizer: “Pela forma como estão a falar, quer dizer que há aqui algo de interessante”. Anima as pessoas a irem ver.

Roberto Navarrete: É mais preocupante quando a opinião de meios considerados liberais, como o “Village Voice”, foi tão negativa.
Oliver Stone: O “Village Voice” esteve durante anos a fazer isso. Para mim, não é uma organização liberal, mas pseudo-liberal. Pode-se discutir bastante sobre o que é ser liberal ou progressista nos Estados Unidos.

Roberto Navarrete: É como o “The Guardian” aqui em relação à Venezuela?
Tariq Ali: O correspondente do “The Guardian” na Venezuela vive num bairro residencial a leste de Caracas e os seus relatórios sobre a vida na Venezuela são totalmente enviesados.

Roberto Navarrete: Você parece fascinado pelo carisma dos caudilhos da América Latina, como Fidel Castro e Hugo Chávez. Mas a América Latina é também o berço de grandes movimentos sociais que durante muito tempo têm lutado pela mudança. Como vê a relação entre os dois, por um lado os dirigentes e por outro lado os movimentos sociais?
Tariq Ali: Estes líderes não estariam no poder se não fosse pelos movimentos sociais. Existe um vínculo entre os dois. Os movimentos sociais na Bolívia ajudaram a criar o Movimento para o Socialismo, partido de Evo Morales que o catapultou para o poder.

Os grandes movimentos sociais contra o FMI na Venezuela, que levaram ao massacre do “Caracazo” em que três mil pessoas morreram, deram origem a Chávez. Os mesmos movimentos se produziram no Equador e no Paraguai. Por isso, não vejo uma grande divisão. Cada um depende do outro.

Essa brecha existe em grande parte no Ocidente, onde os movimentos sociais se extinguiram por não terem sido capazes de lograr fosse o que fosse. Os movimentos sociais já quase não existem na Europa Ocidental. Em países como a Itália, que teve enormes movimentos sociais, já desapareceu tudo. Na América do Sul, uma das razões porque perduraram é porque conseguiram algo, não uma grande mudança, mas algumas reformas estruturais no sistema.

Oliver Stone: Acrescentaria o seguinte: não só gosto dos caudilhos ou homens fortes, que não são o mesmo que ditadores, já que no caso de Chávez ele foi evidentemente eleito, como admiro muito Néstor Kirchner, um intelectual com vontade de fazer alguma coisa, porque os intelectuais tendem a perder a sua força de vontade.

Kirchner foi suficientemente forte para levar a cabo uma reforma baseada no seu próprio pensamento sobre a reforma econômica. É para mim um brilhante exemplo de herói. Ele mesmo o disse no documentário: “O meu amigo Hugo deve pensar num sucessor”, porque quando tudo assenta num só homem, pode chegar a ter um efeito contra-producente e creio que este é o problema que Hugo vai enfrentar no futuro. Aparece demais nas notícias. É demasiado controverso. Então, centram a discussão em Hugo Chávez, em vez de fazerem uma discussão sobre as posições de direita e de esquerda na América Latina.

Roberto Navarrete: No teu filme, também há uma entrevista com Lula, que não tem a mesma política de esquerda que os outros, mas que em termos de política internacional, integração da América Latina, é muito importante. Pareceria que algumas pessoas de esquerda tendem a perder de vista o panorama geral sobre para onde vão as coisas no continente.
Oliver Stone: Sim, é por isso que os incito e digo às pessoas: pensem no contexto geral. Alguns perdem-se nas miudezas e acabam comendo-se uns aos outros.

Roberto Navarrete: Por que você acredita que uma pessoa como Chávez tem tão má imagem nos Estados Unidos, enquanto presidentes como Uribe, supostamente envolvido em problemas de paramilitarismo, relacionado com o tráfico de drogas na Colômbia e em violações dos direitos humanos numa escala sem precedentes na América Latina, é apresentado com uma boa imagem na imprensa?
Tariq Ali: Isso deve-se a que a Colômbia e Uribe são aliados dos Estados Unidos, trabalham com eles, participaram em ações iniciadas pelos Estados Unidos na região e isso sempre foi assim. Sempre foi assim no passado. Por que derrubaram Allende? Por que apoiaram Pinochet? Essa mesma política, hoje de maneira diferente, continua no entanto em curso.

Odeiam Chávez, não apenas porque os ataca frontalmente, mas também além disso por ser o presidente eleito do país com as maiores reservas de petróleo do continente, significando o petróleo muito para eles. Como muitos dos jornalistas dizem, se Chávez estivesse no Paraguai, não o odiariam tanto. Mas a razão porque o odeiam é por estar utilizando o petróleo e contra eles e por estar a dar acesso ao petróleo a outras repúblicas bolivarianas.

Os cubanos conseguiram aguentar-se fazendo um intercâmbio de petróleo por médicos. Odeiam-no porque quebrou o isolamento dos cubanos e permitiu que se ajudem uns aos outros, porque agora a América Latina quer falar a uma só voz. É isso que este filme mostra, isso não tinha sucedido nunca antes. Pela primeira vez, os líderes que não estavam de acordo uns com os outros uniram-se e disseram aos Estados Unidos: basta, já chega e não recuamos.

* Roberto Navarrete é editor de www.alborada.net, sitsite sobre política, meios de comunicação e cultura na América Latina.

Fonte: odiario.info

Um direito sagrado

Lula assina decreto que garante direito à alimentação adequada


O Presidente lula assina nesta quarta-feira o decreto que institui a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. A cerimônia ocorre durante a reunião plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que começa hoje no Palácio Itamaraty.


O documento define a forma de gestão, o financiamento, a avaliação e o controle social e busca para assegurar o direito à alimentação adequada e saudável em todo o País, conforme prevê a Constituição Federal e a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan).
Jorge, Edvaldo e Tião

Os candidatos da Frente Popular começaram o dia de ontem falando para mais de 300 trabalhadores da construção civil.

Tião Viana, candidato a governador, Edvaldo Magalhães e Jorge Viana, companheiros de chapa pelas duas vagas do Senado, assumiram o compromisso de ampliar os investimentos no setor nos próximos quatro anos e, assim, aumentar o número de empregos.

Aluísio Pereira, feijoense que trabalha com carteira assinada nas obras da capital, acha que a eleição de Tião Viana, Edvaldo Magalhães e Jorge Viana é a garantia de que o Acre vai continuar crescendo no mesmo ritmo dos últimos 12 anos.

Na segunda à noite, Tião, Edvaldo e Jorge cumpriram um ritual que se repete a cada campanha da Frente Popular: a reunião com a numerosa família Pontes, uma das mais tradicionais da cidade. Desta vez, além da declaração de voto a Tião e Jorge, a família assumiu a eleição de Edvaldo Magalhães senador como um compromisso de honra.

Agazeta

Música do dia

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dilma desde "criancinha"


Os resultados das ultimas pesquisas que apontam a vitória Dilma no primeiro Turno aprofundou o desânimo e a apatia na campanha da oposição. E, simultaneamente acendeu a luz verde para outra disputa, que ganha destaque: a luta para derrotar a direita e os conservadores também na Câmara dos Deputados e no Senado.

Este blog que é Dilma desde "criancinha", comemora o sucesso da campanha Dilma presidente, onda que está contagiando o Brasil. Agora conclama todos a lutarem para a eleição do Congresso e das assembléias. O Congresso é a instituição onde estão os conservadores mais estridentes, os porta-vozes da direita, que não aceitam que o Brsil continue mudando.

Um teste de sensibilidae humana: Assista o vídeo e perceba se sente emoção
CNT/Sensus: Dilma tem 17,9 pontos de frente. Viva o povo Brasileiro!


A candidata da coligação “Para o Brasil seguir mudando” está mais de 17,9 pontos percentuais à frente de Serra, na pesquisa estimulada CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira (24). Dilma tem 46% das intenções de voto, contra apenas 28,1% do candidato tucano.

Em relação à última pesquisa, no início de agosto, Dilma cresceu 4,4%, enquanto Serra caiu 3,5%. Já na pesquisa espontânea, na qual não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados, Dilma tem 37,2% das intenções de voto - o que representa crescimento de 6,8% - e o tucano tem 21,2%.

No caso de segundo turno, a candidata venceria com 52,9%, contra 34% de Serra. Na pesquisa anterior, Dilma estava com 48,3%, contra 36,6% do tucano. Logo, Dilma cresceu 4,6% e seu adversário caiu 2,6%.

Com os números de hoje, o Sensus mostra a tendência de vitória de Dilma no primeiro turno, assim como já projetaram o Datafolha, Vox Populi e Ibope.

Vitória no primeiro turno

O presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, afirma que, “mantido esse resultado, a eleição será decidida no primeiro turno”. Para Andrade, esses “bons resultados se devem ao Bolsa Família, a popularidade do presidente Lula e o programa eleitoral [na televisão] de ótima qualidade”.

A pesquisa indica que 56% dos entrevistados que assistiram ao programa acham que Dilma apresentou a melhor propaganda eleitoral. Somente 34,3% dizem o mesmo de Serra.

Oposição rejeitada

O cientista político Ricardo Guedes, do Sensus, aponta que, em 23 anos de existência do instituto de pesquisa, nunca ninguém foi eleito com a rejeição que Serra apresentou nesta pesquisa. “O candidato está com índice de rejeição alto, 40,9%. Perde-se a chance de ganhar a eleição”, diz Guedes. “É a primeira vez que a pesquisa classifica uma eleição definida. Tecnicamente definida, com vitória no primeiro turno”, completa Guedes.

O Instituto Sensus realizou duas mil entrevistas, em 136 municípios brasileiros de 24 estados, nas cinco regiões brasileiras, no período de 20 a 22 de agosto. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.


Vereadores assumem a campanha de Edvaldo

A campanha de Edvaldo Magalhães a senador pela Frente Popular recebeu ontem, 23, a adesão de 100 vereadores de vários partidos de todo o Estado. Eles vieram a Rio Branco para declarar voto a Tião Viana governador, Jorge Viana senador e garantir que o atual presidente da Assembléia Legislativa do Acre seja eleito com o apoio dos parlamentares de todos os municípios acreanos. “A eleição de Edvaldo Magalhães é uma questão de honra para nós”, declarou Selma Mendes, presidente da Câmara dos Vereadores de Manoel Urbano.

Para Jorge Viana, companheiro de Edvaldo Magalhães na luta pelas duas vagas do Senado, a Frente Popular tem a missão de derrotar a deslealdade. “Edvaldo Magalhães foi peça fundamental em tudo o que fiz como governador. Agora, tem auxiliado o governo do Binho”, disse Jorge Viana.


Os vereadores acreanos formaram uma corrente parlamentar para eleger Edvaldo Magalhães. O vereador Paulo Soriano, de Cruzeiro do Sul, afirmou que tem três motivos para lutar: “Edvaldo é competente, é de Cruzeiro do Sul e um amigo leal”. Zaqueu Pereira, presidente da Câmara dos Vereadores de Assis Brasil, acredita que a eleição dos dois senadores pela Frente Popular “é a garantia para que Tião Viana, como governador do Acre, consiga mais recursos para investir em todos os municípios”.


Cláudio Braga, vereador de Feijó, anunciou a adesão de seis vereadores do município: “Já estamos em campanha pela Frente Popular e será assim até o último dia”, declarou. Representando os vereadores da Capital, Juracy Nogueira confirmou o engajamento da maioria da Câmara Municipal na campanha de Edvaldo, Jorge, Tião e Dilma para presidente.


Edvaldo Magalhães se emocionou: “sempre trabalhei para aproximar a Assembléia das Câmaras Municipais porque sei que os problemas da comunidade chegam primeiro na porta do vereador. Estou honrado em receber tamanha manifestação de apoio à nossa candidatura ao Senado”, disse.


Tião Viana, candidato a governador, definiu o evento como “um momento decisivo para a história da democracia no Acre. Fonte: Agazeta.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

24 de agosto de 1954 - Morre GETÚLIO VARGAS
"Policia para quem precisa"


Meu artigo sobre mulheres apedrejadas no Irã e arredores desagradou muitos amigos. Este aqui vai me arranjar inimigos. Me inspirei num comentário bem inteligente de um leitor no blog do Nassif. O de que o Irã, em revanche às críticas feitas no Brasil, poderia pedir para se processar o Brasil pelo assassinato a tiros da jornalista Sandra Gomide, pois o crime ficou sem punição para o culpado, mesmo sendo confesso e tendo sido julgado.

E seria mesmo uma boa se o Irã fizesse isso, deixo aí a idéia para os colegas correspondentes do Irã em Brasília publicarem em seus jornais, em Teerã, qualquer coisa como – Brasil se mete na história da Sakineh, mas no Brasil faz dez anos que mataram a tiros Sandra Gomide sem qualquer condenação. E poderão acrescentar que para mulheres infiéis existe no Brasil o chamado crime de honra ou passional, só que os brasileiros são muito mais clean, não enterram a infiel para jogar pedras. Pode-se dar um ou dois tiros, até pelas costas.

O site Jornalistas & Cia, citado pelo Portal da Imprensa, publicou nesta semana um excelente documento de investigação sobre os dez anos do assassinato de Sandra Gomide pelo ex-diretor do jornal O Estado de São Paulo, Pimenta das Neves, e cita um ótimo livro sobre o caso, O Vôo da Rainha, do jornalista e escritor argentino Thomás Eloy Martínez, tratando da soberda e da prepotência do autor do crime. Extraordinário livro, no qual Eloy Martínez, falecido em fevereiro deste ano, dá corpo literário ao drama.

Você lê o documento do Jornalistas & Cia. e tem a mesma reação do pai da moça, o senhor João Gomide - « não há justiça neste país ». Mas até quando eu, você, seus vizinhos, seus amigos, nós todos, vamos dizer e ver isso provado, sem que nada se faça para mudar ? Será que somos um país de carneiros, de paspalhos, de castrados, de babacas, de palhaços ?

Até quando vamos aceitar que a Justiça brasileira seja essa zorra ? Ninguém percebe que se isso continuar assim, vai virar uma esculhambação – prisão para o povo e liberdade para tudo quanto é bandido, desde que tenha grana suficiente para azeitar onde for necessário e utilizar os mil e um recursos para driblar esse simulacro de justiça ?

Vejam bem, no caso da Sandra Gomide, o culpado confessou, foi julgado e condenado, mas obteve do Supremo Tribunal Federal uma liminar lhe permitindo aguardar em liberdade um recurso contra o julgamento. E se o STF deixar o tempo correr, como está fazendo, quando decidir, haverá outro recurso, o de que Pimenta Neves estará velho e doente para ser levado à prisão, que, diga-se de passagem, será em cela especial e não com presos comuns.

Enquanto isso, o pai e mãe de Sandra Gomide têm um vida amargurada, sofrem, adoecem, vendo nada ser feito contra o assassino de sua filha. Mas o que isso importa ? São pobres, gente do povo, não fazem parte da elite inatacável, que se danem.

Faz oito anos, um tal de Paulo Roberto de Andrade passou um conto do vigário em mais de 30 mil pessoas com seu Boi Gordo, uma grande parte do dinheiro dos investidores desapareceu em Miami, e o Conafi não quis saber e nem se interessou, e a justiça eliminou qualquer possibilidade de processo penal, mesmo se o caso envolveu mais de três bilhões de reais. Um advogado, Almeida Paiva, se levantou contra o enganador, mas nada pôde fazer contra a lentidão da justiça e morreu, no começo do ano, descrente e amargurado, sem ter conseguido seu objetivo.

Na Suíça, o procurador de Genebra aguarda uma condenação de Paulo Maluf no Brasil em última instância, ou seja pelo mesmo STF, para poder enviar a São Paulo o dinheiro que ficou bloqueado nos bancos, embora uma parte tenha sido desviada para a Ilha de Jersey. O bloqueio de contas por suspeita de fraude ou corrupção vale por dez anos, não havendo condenação nesse tempo, o bloqueio é levantado e o dinheiro pode ser de novo movimentado. Já transcorreram sete anos anos, faltam só mais três e, com certeza, Maluf reaverá seus bens por falta de condenação.

Cito esses dois casos, e mais um, no sentido inverso – essa mesma Justiça que faz vista grossa para os ricos e abonados, é capaz de brigar para punir contestadores. Durante meses e meses, batalhamos em favor do italiano Cesare Battisti, ameaçado de extradição por ter sido militante esquerdista e acusado de crimes que não cometeu. Ora, para Cesare Battisti o STF quer punição, porque se trata de um pé de chinelo que ousou, no seu país, denunciar e lutar contra uma sociedade injusta.

E tem mais – Battisti teve refúgio concedido pelo ministro da Justiça da época, Tarso Genro, há quase dois anos, mas o STF fez de tudo para impedir sua liberdade. Battisti, está preso até hoje, para ele não há liberdade condicional, nem habeas-corpus, ele é povo, é representante dos que lutam para haver realmente justiça. E como é época eleitoral, a decisão salvadora da presidência ficará para depois das eleições, para não desviar votos.

Senhor João Gomide, o senhor tem toda razão, não há mesmo justiça no Brasil, virou zorra, é uma lástima mas é a realidade.


Mário Augusto Jakobskind