domingo, 16 de maio de 2010

MINHAS RAÍZES E O PARTIDO

Com o racha e dissolução do JESC, no final de 1985, Eu Moisés, João Bosco, e outros jovens assumimos a condição de militante do Partido Comunista do Brasil.

A primeira tarefa era encontrar na cidade alguma pessoa que tivesse a coragem de alugar uma casa para ser identificada com a bandeira vermelha da foice e o martelo. Embora muita gente na cidade respeitasse e admirasse nossas idéias, as pessoas não queriam vincular-se com o partido, muito menos deixar transparecer algum tipo de colaboração. COMUNISMO era uma palavra que poucos tinham coragem de pronunciar.

Após muito esforço conseguimos alugar uma sala no centro da cidade; na Rua Cel. Juvêncio de Menezes em frente ao banco do Brasil, mas o proprietário impôs uma condição: No local não podia ter nome e nem o símbolo do Partido.

Aceitamos a condição e identificamos a sede do Partido como sendo a sede do Jornal Tribuna da Luta Operária, Jornal do Partido que circulava legalmente no período da ditadura em substituição ao Jornal A Classe Operária que havia sido proibido pelo regime militar e só circulava clandestinamente, restrito e acessível apenas aos dirigentes e militantes de confiança.

Para evitar maiores constrangimentos para os meus pais, pedi para sair de casa e fui morar na Rua João Pessoa, juntamente com dois dirigentes da JESC que haviam se incorporados ao Partido. Na época qualquer pessoa que tivesse alguém identificado com as ideias comunista e socialista, era achincalhado e perseguido toda geração.

O grande problema do nosso novo desafio era a falta de recursos para pagar o aluguel da sede do partido, da casa que morávamos, alimentação e outras necessidades básicas. De todos os membros do partido apenas dois tinha emprego. Quem ganhava salário compartilhava com os demais desempregados que desenvolviam tarefas partidárias.

Eu estava empolgado com as tarefas que o partido havia atribuído a mim, mas uma coisa ainda me incomodava; sentia que ainda não estava completamente curado da dependência química da droga, além disso não tinha emprego para me auto sustentar. Eu sabia também que era incompatível a condição de um militante comunista com o uso de droga. Desempregado podia fraquejar na caminhada na nova vida.

Decidi tomar coragem e decisão. Procurei um médico para falar do meu dilema e medo de voltar a consumir drogas. Após a consulta o médico aconselhou submeter-me a um tratamento. Sai do consultório assumindo um compromisso comigo mesmo: Eu não iria fazer tratamento nenhum, o partido seria o meu remédio e eu não iria decepcionar.

Viajei a Rio branco para uma conversa com os membros da direção estadual. Na pauta, uma conversa sobre o partido em Tarauacá e minha condição de sobrevivência.
Voltei como representante do jornal A Gazeta do Acre. Minha função era vender jornal e enviar noticias do município. Como pagamento eu receberia 20% da venda do jornal.

Começava ali mais uma etapa da minha vida. Perseguição, ameaças prisões enfrentamento ideológico contra o conservadorismo local. Começava também uma história amor e paixão pelo partido que até hoje defendo orgulhosamente.

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